“Eu estou me sentindo como uma noiva na noite de núpcias”, brincou Pitty ao subir no palco do Studio SP, pouco depois da meia-noite. “Sendo que essa noiva estava virgem”, ressaltou, antes das primeiras notas de “B. Day”, canção que abriu o set. Ao piano, cantando com serenidade, Pitty pouco lembra a frontwoman certeira e sagaz, líder de um dos maiores nomes do rock nacional da atualidade. Mas nem por isso a música produzida na nova empreitada soa fraca ou datada – na verdade, a sutileza do Agridoce é o seu maior trunfo.
Mesmo longe das guitarras, o Agridoce se revelou, ao longo da noite, um projeto verdadeiramente rock n’roll. Não no som, construído basicamente em cima de piano e violão, mas nas letras de Pitty, mais honestas e transparentes que todas as outras que compôs até hoje. Logo na segunda música, “20 Passos”, a noite estava ganha. Os fãs, com câmeras na mão e sorrisos estampados no rosto, cantavam baixinho, tentando preservar a intimidade de ter a ídola ali, tão perto. Nem os insistentes problemas de som ou os gritos de “Memórias!” e “canta ‘Me Adora’, Pitty!” foram obstáculos para a atmosfera de delicadeza construída durante o show, o que ficou nítido durante os quase sete minutos da bonita “Dançando”, a música mais tocada no MySpace da dupla.
O setlist do show ainda contou com uma bela surpresa: o cover de “Não Existe Amor em SP”, do rapper Criolo, que subiu ao palco e agradeceu o duo pela homenagem. Para finalizar o batismo do Agridoce, Pitty chamou ao palco Hélio Flanders (Vanguart), Bruno Kayapy e Ynaiã Benthroldo (Macaco Bong), Karina Buhr, Pupillo (Nação Zumbi) e a dupla Finlândia, para uma versão apoteótica de “O Porto”, última do set.
Em entrevista exclusiva ao TMDQA! após o show, Pitty reafirmou o caráter intimista das canções. Segundo a cantora, as músicas do que hoje é o Agridoce não foram feitas pensando em atingir um grande público, e não têm um propósito ou objetivo estabelecidos: “Eu não pretendo chegar a lugar algum”, desabafou, ainda atordoada pela boa recepção. “Na verdade, eu nunca quis. Eu não sei nem o que eu achei [do show], vou saber amanhã, vendo os vídeos na internet”. Distante dos grandes palcos, mas não das lentes e dos holofotes, Pitty se entrega a quem estiver disposto a ouví-la, sem medo da exposição excessiva: “É tudo muito sincero, verdadeiro, não tive ressalvas na hora de escrever. Afinal, a música serve para isso mesmo”.”
Resenha por: Tenho Mais Discos que Amigos
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